Transtorno do pânico: por que as sensações do corpo passam a assustar tanto?

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Um ataque de pânico pode produzir uma combinação intensa de sensações físicas e medo. Coração acelerado, falta de ar, tontura, tremor, sensação de desmaio ou perda de controle podem ser interpretados como sinal de que algo muito grave está prestes a acontecer.

No transtorno do pânico, o problema não é apenas a presença dessas sensações. O medo das próprias sensações pode criar um ciclo em que o corpo é monitorado o tempo todo.

O ciclo do pânico

Modelos cognitivo comportamentais destacam três elementos: atenção aumentada aos sinais corporais, interpretação ameaçadora dessas sensações e comportamentos de fuga ou segurança. Uma mudança pequena no corpo pode ser percebida rapidamente e interpretada como perigo, o que aumenta a ansiedade e intensifica as sensações.

Psicoeducação

Compreender o que acontece durante um ataque ajuda a reduzir o mistério e a imprevisibilidade. O terapeuta trabalha de forma interativa, usando perguntas e exemplos para diferenciar sensação física, interpretação e resposta de medo.

Estratégias cognitivas

O tratamento pode examinar pensamentos como “vou desmaiar”, “vou perder o controle” ou “isso é um infarto”. A proposta é avaliar as evidências, comparar previsões com experiências anteriores e testar hipóteses de forma segura.

Exposição a situações e sensações

Quando a evitação mantém o problema, a exposição pode ser utilizada para aproximar gradualmente a pessoa de situações temidas. Em alguns casos, também se trabalha com exposição interoceptiva, que envolve entrar em contato planejado com sensações corporais para reduzir o medo associado a elas.

O planejamento precisa ser individual. Exercícios não devem ser feitos de forma aleatória nem usados para substituir avaliação médica quando há sintomas novos ou dúvidas sobre a origem física.

Este texto é informativo e não substitui avaliação clínica individual. Diagnóstico e tratamento devem considerar a história e o contexto de cada pessoa.

Referências

  1. Bieling, P. J., McCabe, R. E., & Antony, M. M. (2008). Terapia cognitivo comportamental em grupos. Artmed.
  2. King, A. L. S., Valença, A. M., Melo Neto, V. L., & Nardi, A. E. (2007). A importância do foco da terapia cognitivo comportamental direcionado às sensações corporais no transtorno do pânico. Revista de Psiquiatria Clínica.
  3. Manfro, G. G., Heldt, E., Cordioli, A. V., & Otto, M. W. (2008). Terapia cognitivo comportamental no transtorno do pânico. Revista Brasileira de Psiquiatria.
Júlio Alves

Júlio Alves

Psicólogo, psicoterapeuta, professor e pesquisador. Mestre em Ciências do Comportamento pela Universidade de Brasília. Atua com Terapia Cognitivo Comportamental, Terapia do Esquema e outras estratégias das Terapias Cognitivas.

Conheça a trajetória profissional e acadêmica
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