Ansiedade generalizada: quando a preocupação parece não desligar

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Preocupar se faz parte da vida. A preocupação ajuda a antecipar problemas e pode favorecer planejamento. No Transtorno de Ansiedade Generalizada, a questão é outra: as preocupações tornam se frequentes, difíceis de controlar e passam a ocupar uma parte desproporcional do dia.

Família, dinheiro, trabalho, saúde e pequenas decisões podem se transformar em sequências longas de “e se?”. A mente tenta prever todos os cenários possíveis e, ainda assim, a sensação de segurança não chega.

O papel da incerteza

Um ponto importante em modelos cognitivo comportamentais do TAG é a intolerância à incerteza. Situações ambíguas tendem a ser tratadas como ameaças que precisam ser resolvidas imediatamente. Como muitas incertezas não podem ser eliminadas, a busca por certeza acaba produzindo mais vigilância.

Preocupação e sensação de controle

Algumas pessoas sentem que preocupar se muito as deixa preparadas. Outras percebem a preocupação como uma forma de impedir que algo ruim aconteça. Mesmo quando essa relação não é real, a sensação de “estar fazendo alguma coisa” pode reforçar o hábito de preocupar se.

Resolução de problemas

Nem toda preocupação pede a mesma resposta. Problemas concretos e modificáveis podem ser trabalhados com planejamento e solução de problemas. Situações reais que não estão sob controle exigem outro tipo de resposta. Cenários muito improváveis também pedem um trabalho diferente, voltado à avaliação da ameaça e à tolerância à incerteza.

Estratégias usadas na TCC

Dependendo do caso, o tratamento pode incluir reestruturação cognitiva, exposição a pensamentos e imagens temidas, treino de solução de problemas, trabalho com crenças sobre a utilidade da preocupação e estratégias para reduzir comportamentos de evitação.

O objetivo não é prometer uma vida sem incerteza. É desenvolver recursos para seguir vivendo mesmo quando não existe garantia.

Este texto é informativo e não substitui avaliação clínica individual. Diagnóstico e tratamento devem considerar a história e o contexto de cada pessoa.

Referências

  1. Beck, A. T., Clark, D. A., & Monteiro, M. C. (2012). Terapia cognitiva para os transtornos de ansiedade. Artmed.
  2. Beck, J. S. (2013). Terapia cognitivo comportamental: teoria e prática. Artmed.
  3. Dugas, M. J., & Ladouceur, R. (2003). Análise e tratamento do transtorno de ansiedade generalizada. In V. E. Caballo, Manual para o tratamento cognitivo comportamental dos transtornos psicológicos.
  4. Knapp, P., & Beck, A. T. (2008). Fundamentos, modelos conceituais, aplicações e pesquisa da terapia cognitiva. Revista Brasileira de Psiquiatria, 30, s54 s64.
Júlio Alves

Júlio Alves

Psicólogo, psicoterapeuta, professor e pesquisador. Mestre em Ciências do Comportamento pela Universidade de Brasília. Atua com Terapia Cognitivo Comportamental, Terapia do Esquema e outras estratégias das Terapias Cognitivas.

Conheça a trajetória profissional e acadêmica
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